Coimbra e as livrarias

Fotografia de Hannah

Publicado originalmente no Diário As Beiras.

Para George Steiner, um dos marcadores da «ideia de Europa» foi traçado pelo roteiro dos cafés, lugares ímpares «de entrevistas e conspirações, de debates intelectuais e mexericos». Abertos a todos, funcionaram até há pouco tempo, de Odessa a Lisboa, como espaços de sociabilização e reconhecimento político ou cultural, por vezes decisivos na evolução das cidades e dos Estados. Algo de semelhante aconteceu com as livrarias. O embaratecimento e a massificação do livro impresso transformaram-nas em espaços de uma civilidade particular, como nós vitais de uma rede comunitária de conhecimento e de cidadania. E como lugares de uma socialização peculiar, envolvendo livreiros e clientes, que ali encontravam sítios acolhedores e de certa forma democráticos. As tertúlias, nascidas em Paris e logo disseminadas por todo o lado, representaram um elemento fundamental dessa vida partilhada, espaços de encontro onde de tudo se tratava, da literatura à política, do cinema à gastronomia, do futebol à má-língua. Sempre com os livros como pretexto e moeda de troca. Continuar a ler

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