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11 de Setembro:
o mundo um ano depois...

[Dejalma Cremonese]


Um ano se passou e, com ele, a triste constatação que pode ser resumida na seguinte frase: Aumentaram as incertezas e a insegurança no mundo...

Os reflexos do pós 11 de setembro de 2001, a partir da destruição das Torres Gêmeas do World Trade Center e do Pentágono, ponto nevrálgico do sistema econômico e militar dos EUA, respectivamente, tendem a repercutir de forma negativa nas questões econômicas, políticas, sociais e militares nas mais variadas partes do globo. Em nome da "segurança", os EUA elegeram a forma maniqueísta de ver o mundo, dividindo-o entre aqueles que fazem parte do "bem", e aqueles que pertencem ao "eixo do mal". Com isso, justificam as guerras e intervenções militares para destruir os supostos Estados "bandidos" (terroristas): Iraque, Afeganistão, Irã, Coréia do Norte e Cuba, entre outros... A afirmação de George W. Bush resume a idéia: "Os que não estão conosco estão contra nós".

Como informou o jornal El País, o governo Bush parte para a ofensiva no combate ao terrorismo no mundo e, junto, o interesse no controle e monopólio do petróleo: "A luta ou a guerra contra o terrorismo se vê entremeada com a importância que este governo Bush, ainda mais que os anteriores, dá ao controle do abastecimento e das reservas de petróleo. Ele busca uma menor dependência do petróleo árabe, e para isso aposta não apenas num eventual controle do Iraque, como também na Ásia Central". Para isso, os EUA aumentaram no último trimestre do ano em torno de 9,5% seus gastos militares, além de incrementar a venda de armas, e de ter aumentado a atuação militar em mais de 140 países do mundo. Na América do Sul são mais de 20 bases militares... Tais intervencionismos aumentaram a antipatia de vários países em relação aos EUA, o governo Bush agora contabiliza a soma dos inimigos...

Os EUA, já vinham enfrentando uma séria crise econômica que, após o atentado, tem se agravado ainda mais... Outro fator de enfraquecimento da economia dos EUA dá-se em decorrência do estouro das "bolhas" das ações das dez maiores empresas do setor de telecomunicações. As fraudes nos balanços das referidas empresas desencadearam prejuízos inigualáveis aos investidores norte-americanos comuns (60% da população), as quais somam trilhões de dólares: "Em dois anos, a Nasdaq, na qual são cotizadas as ações das companhias de alta tecnologia, e a bolsa de Wall Street torraram juntas 7 trilhões de dólares em investimentos, mais de dez vezes toda a riqueza produzida no Brasil durante um ano" (VEJA, 11-09-2002).

No setor ambiental, houve retrocesso, igualmente. Com a não-assinatura do tratado de Kyoto pelo presidente George W. Bush, os EUA não se comprometeram em diminuir ou parar de emitir gases poluentes na atmosfera, tendo como argumento uma só razão, o lucro. O próprio presidente Bush admite: "Somos o maior poluidor do mundo, mas, se for preciso, vamos poluir ainda mais para evitar uma recessão na economia americana", e conclui de maneira enfática: "Estou convencido de que o mundo tem muito mais a perder com a recessão nos Estados Unidos do que com a poluição que produzimos". Em outras palavras: não importa a destruição da terra, o que importa é que as empresas norte-americanas tenham lucro...

A pobreza no mundo aumentou consideravelmente depois de 11 de setembro. Isso se deve à suspensão dos auxílios de alimentação e infra-estrutura dos países ricos, integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento) aos países pobres, especialmente da África. Como informou James D. Wolfensohn, Presidente do Banco Mundial: "Calculamos que umas dezenas de milhar adicionais de crianças morrerão em todo o mundo, e que 10 milhões mais de pessoas provavelmente viverão abaixo do limiar de pobreza de US$ 1 por dia devido aos ataques dos terroristas. Isto é apenas devido à perda de renda. Inúmeras pessoas cairão na pobreza se houver uma ruptura das estratégias em prol do desenvolvimento". Com a diminuição dos auxílios dos países ricos devido às conseqüências dos ataques de 11 de setembro (de US$ 240 bilhões de no ano passado para US$ 160 bilhões de estimados para este ano), a morte de milhares de crianças será inevitável... Os países ricos, membros da OCDE, ajudam com apenas 0,22% do PIB de seus países, o que é muito menos do que a meta de 0,7% decidida pela comunidade internacional.

Diante deste cenário, pergunta-se: Avançamos ou regredimos na defesa de nosso planeta? Chegamos realmente ao limite? Podemos conviver juntos por mais algum tempo ou aceitaremos resignados o ocaso? Só depende de nós...

* Professor do Departamento de Ciências Sociais da UNIJUÍ - RS
E-mail: dcre@main.unijui.tche.br Site: http://www.unijui.tche.br/~dcre/

 

Set. 02


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