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A nova era, como a outra,
que também era nova

[João Craveiro]


Alguns analistas, penso que de forma apressada, fazem residir no 11 de Setembro de 2001 e nos atentados terroristas aos Estados Unidos da América o começo de uma nova era e o adequado término do século XX. Com efeito, alguma coisa mudou depois do 11 de Setembro, mas a questão está em saber se o que mudou consagra uma nova era e de que nova era estamos a falar.

O que mudou foi a percepção da fragilidade dos Estados Unidos da América que, levando muitas vezes o terror a outras partes do mundo sob o seu envolvimento directo ou indirecto (como num outro 11 de Setembro, no Chile, votado ao esquecimento da História e reclamando a demência diligente de Pinochet) nunca tinham sido um alvo tão persuasivo e atroz do terrorismo.

Contudo, nem o mundo é inteiramente novo depois do 11 de Setembro de 2001 nem as novidades são (mais) apaziguadoras. Pelo contrário, os Estados Unidos da América preparam-se, restaurando a confiança no seu domínio armado, para iniciar uma nova (velha) guerra ao Iraque, eventualmente ofendendo o Direito Internacional e o sufrágio em sede das Nações Unidas. É preciso, pois, considerar que o mundo está mais perigoso, depois do 11 de Setembro do ano passado. Por causa do terror sob todas as formas, incluindo as de Estado.

A era da globalização não é nova. O terror global é novo, mas já o experimentávamos depois da última Grande Guerra ou, mais recentemente, a propósito das questões ecológicas. O que mudou, nos fenómenos da globalização, é o controlo (agora) mais rigoroso sobre as deslocações de pessoas, principalmente entre Continentes diferentes.

Esta perda de ritmo da globalização parece não afectar a velocidade das trocas de dinheiros ou de mercadorias, nem a velocidade com que se declaram intenções de guerra e se permutam as vítimas ao sabor de outras mortes planeadas.

Set. 02


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