Alguns analistas, penso que de forma apressada, fazem residir no 11
de Setembro de 2001 e nos atentados terroristas aos Estados Unidos
da América o começo de uma nova era e o adequado término
do século XX. Com efeito, alguma coisa mudou depois do 11 de
Setembro, mas a questão está em saber se o que mudou
consagra uma nova era e de que nova era estamos a falar.
O que mudou foi a percepção da fragilidade dos Estados
Unidos da América que, levando muitas vezes o terror a outras
partes do mundo sob o seu envolvimento directo ou indirecto (como
num outro 11 de Setembro, no Chile, votado ao esquecimento da História
e reclamando a demência diligente de Pinochet) nunca tinham
sido um alvo tão persuasivo e atroz do terrorismo.
Contudo, nem o mundo é inteiramente novo depois do 11 de Setembro
de 2001 nem as novidades são (mais) apaziguadoras. Pelo contrário,
os Estados Unidos da América preparam-se, restaurando a confiança
no seu domínio armado, para iniciar uma nova (velha) guerra
ao Iraque, eventualmente ofendendo o Direito Internacional e o sufrágio
em sede das Nações Unidas. É preciso, pois, considerar
que o mundo está mais perigoso, depois do 11 de Setembro do
ano passado. Por causa do terror sob todas as formas, incluindo as
de Estado.
A era da globalização não é nova. O terror
global é novo, mas já o experimentávamos depois
da última Grande Guerra ou, mais recentemente, a propósito
das questões ecológicas. O que mudou, nos fenómenos
da globalização, é o controlo (agora) mais rigoroso
sobre as deslocações de pessoas, principalmente entre
Continentes diferentes.
Esta perda de ritmo da globalização parece não
afectar a velocidade das trocas de dinheiros ou de mercadorias, nem
a velocidade com que se declaram intenções de guerra
e se permutam as vítimas ao sabor de outras mortes planeadas.
Set. 02