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Parece haver uma lei como que trinitária nas polémicas em Portugal: no verão foi a sucessão Camões no Secundário/Eça centenário/Venâncio&EPC em torno da crítica. Agora, na ressaca da "cultura" do Acontece, mais denúncias de poderes ocultos (a escola boavisteira ganha adeptos?) na comunicação social apanhada pelo polvo e, para compor o ramalhete, mais um estudo catastrofista sobre o nosso ensino. Como diria o outro, Que Fazer? É uma agradável
coincidência ver como a denúncia do polvo mediático
socialista e dos silêncios por ele imposto (Pacheco Pereira, 5/12/01)
acontece precisamente no dia em que o silêncio sobre as (hipó)teses
de Eduardo Cintra Torres não podia ser menor. O que não
invalidará muito do que é dito pelos denunciantes, mas não
deixa de ser cómico. 1. O Público
esclarece (5/12/01, p. 2) quais os critérios usados na escala que
regula o estudo (relativamente à literacia). Nada é quantitativo,
tudo é adjectivo. Apenas um exemplo do tipo de diferenças
imaginativas usadas nos diferentes níveis: quem ficou no nível
4, é capaz de "localizar informação implícita
ou construir significados a partir de subtilezas da linguagem"; os
de nível 5 (o máximo) já são capazes de"encontrar
e gerir informação difícil de encontrar em textos
que não lhes são familiares e avaliar de forma crítica
essa informação". Donde devemos depreender que o trabalho
de "construir significados a partir de subtilezas da linguagem"
não é uma"avaliação crítica"
da informação de um texto. Então será o quê?
Os exemplos podiam multiplicar-se, mas para quê? Ainda antes da
descrição dos níveis, já o leitor sabe que
"o que estava em causa era, exclusivamente, a capacidade de ler e
gerir informação, pelo que erros ortográficos ou
gramaticais nas respostas não foram considerados pelos avaliadores".
Temos então que a construção de significados a partir
de subtilezas da linguagem ou avaliações críticas
de informação difícil de encontrar são trabalhos
que dispensam o recurso à gramática. A OCDE talvez não
sirva de muito para avaliar o Ensino Secundário, mas ajuda a compreender,
decerto, algumas teses de Mestrado e Doutoramento que por aí se
encontram, distintas, louvadas, publicadas e gabadas
O que diz este estudo
sobre o jornalismo privado? Diz-nos que, tal como o DN, da PT (dos socialistas!)
faz propaganda sensacionalista em favor de causas políticas aliás
bastante defensáveis (como a redução da taxa de alcoolémia),
o Público da Sonae clama "Tragédia" quando os
nossos níveis internacionais estão próximos dos da
Alemanha. A "Nova Cidadania" não precisa de aumentar
a sua tiragem, o ministério da Educação já
tem aqui bastante com que se preocupar. Para quê discutir a sociedade
quando se pode urrar sobre o ensino? Valha-nos o Harry Potter (que até
é mais maneirinho que o Senhor dos Anéis) na sua cruzada
antipósmoderna. |
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