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Um
botão azul em Piccaddily Line
O
comboio rompeu a ténue claridade da estação, com imperturbável ronçaria.
A voz pastosa do funcionário libertava-se dos altifalantes: "Mind
the gap!". A
multidão sacudia ainda a languidez dos dias quando o homem reparou no
ponto azul que reluzia a seus pés: parecia-lhe um botão de casaco. Preparava-se
para o apanhar, mas foi surpreendido pela súbita movimentação humana
que o arrastou, sem recurso, para o interior da carruagem. "Mind
the door!", o funcionário alertava, denunciando a inexorabilidade
dos tempos. Do
fundo da estação, uma mulher debruçou-se solitariamente e recolheu o
botão azul, transpirando no rosto a felicidade particular de quem recupera
algo de seu. O homem, esse que ainda acreditava na forte probabilidade
da ternura no encontro furtivo dos olhares, partiu irremediavelmente
— talvez para sempre, sem destino e sem mágoa.
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