História do Gigante-Poeta

Era uma vez um gigante que vivia numa pequena aldeia do interior. Chamavam-lhe simplesmente gigante-poeta porque era um gigante que fazia poemas e porque ninguém sabia o seu verdadeiro nome. Ninguém sabia donde tinha vindo nem a que terra pertencia, nem se havia uma terra só para os gigantes.

Um dia (há muitos anos atrás) o gigante-poeta apareceu no adro daquela aldeia e o povo apreciou o seu ar humilde e triste, apesar de ser um gigante. As gentes da aldeia acostumaram-se a ver o gigante no adro e algumas semanas mais tarde começaram a organizar visitas de turistas.

Todos os dias do ano, multidões de turistas dirigiam-se para aquela aldeia. A aldeia prosperou, mas o gigante andava sempre muito triste porque não tinha amigos. Os aldeões apenas queriam que ele ficasse porque representava uma fonte de receitas, e o presidente da aldeia estava muito contente por ter um gigante para mostrar a todo o mundo. Mas os aldeões não ligavam aos poemas que o gigante fazia, porque só queriam saber do dinheiro que os turistas traziam para a aldeia.

Então, uma bela manhã de sol, um turista escutou um poema do gigante, e ambos começaram a chorar. Primeiro foi um turista, depois um casal, depois outro turista… O gigante, como se sentia muito triste, quando alguém o ouvia abraçava-o com muita força… com muita força… e assim, a pouco e pouco, foram desaparecendo os turistas, esmagados pelo abraço do gigante que, sem querer, quebrava os ossos àqueles que queriam ser seus amigos ou apenas escutar os seus poemas.

Um dia o gigante, farto de não conseguir ter amigos a quem abraçar (porque, de facto, não controlava a sua força…), fugiu pelo País fora e atirou-se ao mar, longe dos olhares dos homens da aldeia. Ninguém sabe onde o gigante desapareceu, por entre as águas do mar, mas dizem que a culpa do mar ser tão fundo é do gigante. A culpa de não haver mais turistas naquela aldeia, também.