| Mornas
por descobrir Os Tubarões com mais de uma década de uma carreira musical espalhada pelos quatro continentes, chegaram ao fim da sua brilhante carreira. O que ficou de tão longo ensejo? Para já a voz cristalina de Ildo Lobo que se apresenta agora com este seu primeiro álbum a solo. E, essencialmente - porque nos encontramos já à espera da chegada do segundo exemplar, pois, contrariamente ao que o Esteves Cardoso escreveu na década de 80, os discos da maioria dos músicos caboverdianos de hoje são produzidos e editados em primeira mão em França - escutemos por instantes esta belíssima novidade musical gerada originalmente no arquipélago de Cesária Évora, Bana e Travadinha. Nós Morna foi o título escolhido para a apresentação de uma nova faceta de Ildo Lobo, agora já sem o ritmo africano da coladera, permitindo-nos conhecer desta vez a sua incursão na música rainha de Cabo Verde - a morna! O músico cabo verdiano decidiu, após doze discos como cantor do grupo Os Tubarões, cantar segundo a tradição da Boavista e homenagear o seu pai Antoninho Lobo, num disco de serenatas, povoado de mornas sublimes, em estado febrilmente criativo, até às mornas perfeitamente tradicionais e repetitivas. Deve-se
pois, após adquirir este belo disco de mornas repetir vezes sem conta o
seu balanço na aparelhagem, com uma atenção especial para
as faixas Nós Morna, Oh Rosa Negra e ainda para
Dör di nh´alma com o seu acalorado refrão: Ma
disilusão ta doé/ Ta quema qui nem lume/ Ta foga qui nem agua /
Ta raza qui nem vento / Nh´amôr nha fantazia / Betu. E se possível
imaginar uma noite nas ilhas de Cabo Verde a ouvir as famosas serenatas do já
desaparecido Antoninho Lobo, aqui pela voz do seu filho, acompanhado por uma cachupa,
um groguinho e...morabeza! | ||