
UM
Um Zero Amarelo Zero Amarelo NorteSul, 2000
Uns
dia sim outros dias não Melhores dias virão António Cunha
| |
As colorações
da tristeza Fernando
Nunes
Este primeiro
disco da banda bracarense Um Zero Amarelo demorou algum tempo até chegar
à edição, não falando já da dificuldade de
encontrar exemplares seus nos escaparates das discotecas ou mesmo escutar alguns
dos seus temas nas rádios ou programas de referência. Uma banda com
nove anos de existência e um primeiro álbum de canções
fora do ar do tempo e das modas, merecia melhor sorte no panorama da música
popular (vale ainda a pena falar de Pop Rock neste caso?). A verdade é
que a história e o percurso de Um Zero Amarelo diz se tratar de um casos
mais singulares na mais nova música cantada em português. Estas dúvidas
esbatem-se após uma esforçada e devida atenção aos
poemas presentes nestas doze canções de pendor romântico e
existencialista.
António Monteiro da Cunha, o vocalista e escritor
destas canções tristes de fim de século, confessou que este
é um disco sobre o amor. O amor ou a tristeza de o estar perder! O amor
ganha aqui uma coloração nocturna, desencantada, a insuportabilidade
do seu ideal. Por isso é que o disco homónimo de Um Zero Amarelo
é tão surpreendente, não só por esse lado soturno
e melancólico das baladas mas também pelo facto da sua paleta sonora
e os arranjos musicais não obedecer aos parâmetros normais do formato
canção. Anacrónico? Pode ser. Mas a arte de criar um novo
imaginário e romper os transmites musicais não terá sido
sempre intemporal?
Após a audição dos temas cantados
por via de uma alma dorida, tais como Trist, Voyeur, Como
Um Cavalo Louco ou mesmo Beijos Homicidas, a indiferença
e o cinismo em relação ao mundo que nos rodeia é certamente
menor. Há, no entanto, razões para continuar sonhar com um Oriente
Selvagem ou viajar na Nave dos Suspiros, sabendo de antemão
que as coisas não estão fáceis para ninguém, muito
menos para os poetas, e que é preciso voltar a ter prazer em ouvir uma
Canção de Amigo!
Um Zero Amarelo são:
António José da Cunha, vocalista, um músico que também
faz parte dos Mão Morta, António Rafael (guitarras e teclados),
José Pedro Moura (baixo, também dos Pop Dell´Arte), Carlos
Fortes (guitarras, coros e programações e ex-Mão Morta) e
Duarte Araújo (bateria).
Nov.00
| |